O que aconteceu com o Mercado Bitcoin
Na segunda-feira, 2 de novembro de 2026, o Mercado Bitcoin (MB), uma das maiores corretoras de criptomoedas do Brasil, sofreu um ataque hacker. A informação foi publicada pela Exame, na editoria Future of Money.
Segundo a Hypernative, empresa de segurança em blockchain, pelo menos US$ 40 milhões em carteiras do MB foram comprometidos. Na cotação usada pela reportagem, o valor equivale a cerca de R$ 217,7 milhões.
O caso chamou atenção porque aconteceu apenas quatro dias depois de um ataque à Binance, no qual a reportagem informa que foram roubados US$ 6,3 bilhões. Dois incidentes grandes em poucos dias colocaram a segurança das exchanges no centro da conversa.
Como funciona um ataque a carteiras de uma exchange
Corretoras guardam os criptoativos dos clientes em carteiras próprias. Parte fica em carteiras quentes (hot wallets), conectadas à internet para processar saques rápidos, e parte em carteiras frias (cold wallets), mantidas fora da rede.
Quando um invasor consegue acesso a sistemas que assinam transações, ele pode transferir fundos dessas carteiras para endereços sob o seu controle. Como as transações em blockchain são irreversíveis, o dinheiro não volta com um simples estorno.
A reportagem não detalha qual sistema foi invadido nem como o acesso aconteceu. O que se sabe é que o MB afirma ter identificado e contido o incidente durante a madrugada.
Até a publicação da Exame, não havia informação sobre a autoria do ataque ao Mercado Bitcoin. Desconfie de posts em redes sociais que apontam culpados sem fonte.
O que o Mercado Bitcoin informou
Em comunicado, a corretora disse que identificou e conteve um incidente de segurança em um de seus sistemas durante a madrugada.
O MB afirmou que não houve prejuízo aos clientes e que não houve vazamento de dados de clientes. A Exame registra essa posição da empresa, sem confirmação independente.
Como medida de precaução, depósitos e saques foram suspensos temporariamente. O aplicativo também ficou fora do ar: às 11h40, a reportagem não conseguiu acessar a conta.
- Incidente: identificado e contido, segundo o MB.
- Clientes: sem prejuízo, segundo o MB.
- Dados: sem vazamento, segundo o MB.
- Operações: depósitos e saques suspensos temporariamente.
Como os fundos estão sendo rastreados
Uma característica das blockchains públicas é que toda transação fica registrada. Isso permite seguir o caminho do dinheiro, mesmo sem saber quem controla cada endereço.
O Mercado Bitcoin publicou no X os endereços das carteiras de destino em várias redes, como EVM, BTC, SOL, XLM e TRON. A ideia é que outras empresas e exchanges reconheçam esses endereços e bloqueiem os fundos se eles aparecerem por lá.
A corretora também disse que está rastreando os ativos e trabalhando em conjunto com as autoridades.
# Exemplo genérico: consultar um endereço numa API pública de explorador
# (troque ENDEREÇO pelo endereço publicado; não é um endereço real)
curl https://blockstream.info/api/address/ENDEREÇOO papel da Tether no caso
Segundo a reportagem, a Tether, emissora da stablecoin USDT, congelou cerca de US$ 3,7 milhões em stablecoins ligados aos endereços investigados.
Esse congelamento só é possível porque stablecoins centralizadas têm um emissor capaz de bloquear tokens em endereços específicos. Com isso, o invasor não consegue mais movimentar essa parte dos fundos.
Já ativos como o bitcoin não têm um emissor central. Nesse caso, o bloqueio depende de as exchanges recusarem depósitos vindos dos endereços marcados.
Em incidentes assim, a velocidade conta. Quanto antes os endereços são divulgados, maior a chance de outras plataformas bloquearem os fundos antes de eles serem trocados ou misturados.
Comparação com o ataque à Binance
O ataque à Binance, quatro dias antes, foi atribuído pelo FBI e por empresas de análise de blockchain ao TraderTraitor, grupo ligado à Coreia do Norte, segundo a Exame.
No caso do Mercado Bitcoin, a reportagem informa que não houve atribuição de autoria até o momento. Não há, portanto, base para dizer que os dois ataques têm ligação.
O que os dois casos têm em comum é o alvo: carteiras de grandes corretoras, que concentram muito valor e se tornam alvos atraentes para grupos organizados.
O contexto regulatório no Brasil
O Mercado Bitcoin pediu recentemente ao Banco Central a autorização para operar como PSAV (prestador de serviços de ativos virtuais).
Pelas regras do BC, só as empresas que pediram autorização até 30 de novembro podem continuar oferecendo serviços com criptoativos. Segundo a reportagem, o BC analisa mais de 60 pedidos.
A regulação traz exigências de governança e controles internos. Incidentes de segurança como este tendem a ganhar ainda mais peso na avaliação das empresas do setor.
O que muda para quem tem cripto em corretora
Para os clientes do MB, o efeito imediato é a suspensão de depósitos e saques até a corretora normalizar o serviço. Acompanhe os canais oficiais da empresa para saber quando as operações voltam.
Para quem usa qualquer exchange, o caso é um lembrete: deixar criptoativos numa corretora significa confiar na segurança dela. Mesmo quando a empresa cobre as perdas, o acesso aos fundos pode ficar travado por um tempo.
Esse risco é conhecido como risco de custódia. Ele não é exclusivo de uma empresa, existe em todo serviço que guarda ativos por você.
Dicas para proteger seus criptoativos
Ative a autenticação em dois fatores com aplicativo autenticador, não por SMS. Isso protege sua conta, embora não proteja contra um ataque aos sistemas da corretora.
Para valores que você não pretende negociar no curto prazo, considere uma carteira de autocustódia, como uma carteira de hardware. Guarde a frase de recuperação offline.
Golpistas costumam aproveitar incidentes para enviar mensagens falsas oferecendo reembolso ou pedindo para você validar a conta. Nunca informe senha, código 2FA ou frase de recuperação. Use só o app e o site oficiais.
Também vale distribuir o risco: não concentrar tudo numa única plataforma reduz o impacto de uma suspensão de saques.
Vale se preocupar?
Se você é cliente do Mercado Bitcoin, a empresa afirma que não houve prejuízo aos clientes. O passo mais útil agora é acompanhar os comunicados oficiais e redobrar a atenção com mensagens suspeitas.
Se você usa outras corretoras, o caso não é motivo para pânico, mas é um bom momento para revisar a segurança da sua conta e decidir quanto faz sentido deixar sob custódia de terceiros.
Os números e a situação podem mudar conforme a investigação avança. Fique atento às atualizações da corretora e das autoridades.
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