O que é o Nuclei

O Nuclei e um scanner de vulnerabilidades open source criado pela ProjectDiscovery, empresa especializada em ferramentas de segurança ofensiva. Ele foi desenhado para automatizar a checagem de falhas de segurança em aplicações web, APIs, redes e infraestrutura em nuvem.

A ferramenta ganhou popularidade porque resolve um problema real: escrever um scanner customizado para cada nova vulnerabilidade divulgada e trabalhoso e repetitivo. O Nuclei transforma essa tarefa em algo declarativo, usando arquivos de configuração simples em vez de código.

Hoje o projeto e mantido ativamente no GitHub, com atualizações constantes de templates cobrindo desde CVEs recentes até configurações inseguras comuns em servidores e painéis administrativos. E uma das ferramentas mais citadas em relatórios de bug bounty e pentest nos últimos anos.

Como funciona

O Nuclei roda sobre uma engine escrita em Go, o que garante execução rápida e baixo consumo de recursos mesmo escaneando milhares de alvos em paralelo. A lógica de detecção fica separada do motor da ferramenta.

Cada verificação e descrita em um template YAML: o template define a requisição a ser enviada (HTTP, DNS, TCP, entre outros protocolos), o que verificar na resposta e a severidade da falha caso o padrão seja encontrado. Isso significa que qualquer pessoa pode criar um novo teste sem escrever uma linha de código Go.

Pense no Nuclei como um motor de busca de padrões: você fornece a lista de alvos e a lista de templates, e ele cruza as duas coisas testando cada combinação de forma otimizada e concorrente.

Principais recursos

  • Templates YAML: mais de 10 mil templates prontos mantidos pela comunidade, cobrindo CVEs, exposições de configuração, tomadas de subdomínio e mais
  • Múltiplos protocolos: suporte a HTTP, DNS, TCP, arquivos, headless (via navegador) e workflows que combinam varias etapas
  • Execução em massa: escaneia listas grandes de URLs ou IPs com controle de concorrência e rate limit
  • Integração com pipeline: saída em JSON, fácil de integrar em CI/CD ou em scripts de monitoramento continuo
  • Baixo falso positivo: templates validados pela comunidade, com matchers precisos

Como começar: instalação ou acesso passo a passo

O Nuclei e distribuído como binário único, sem dependências externas além do próprio Go para compilar a partir do código fonte.

go install GitHub.com/projectdiscovery/nuclei/v3/cmd/nuclei@latest

Também é possível instalar via gerenciadores de pacote em Linux e macOS, ou baixar o binário pronto direto da página de releases no GitHub.

# atualizar templates para a versão mais recente
nuclei -update-templates
⚠️
Atenção

Só use o Nuclei contra alvos que você tem autorização explicita para testar. Escanear sistemas de terceiros sem permissão pode configurar crime.

Exemplo prático

Um uso típico e escanear um domínio em busca de vulnerabilidades conhecidas usando os templates padrão da comunidade.

nuclei -u https://exemplo.com.br -t cves/ -severity critical,high

O comando acima aponta o alvo, seleciona apenas templates da pasta de CVEs e filtra por severidade crítica ou alta. O resultado mostra na tela cada vulnerabilidade encontrada, com o template usado e a evidência da detecção.

Para escanear uma lista grande de alvos, e comum combinar o Nuclei com outras ferramentas da ProjectDiscovery, como o subfinder para descobrir subdomínios e o httpx para filtrar quais estão ativos antes de rodar o scan.

Comparação com alternativas

Ferramentas como Nessus e OpenVAS também fazem scan de vulnerabilidades, mas são mais pesadas, voltadas a infraestrutura corporativa e com foco em relatórios de compliance.

O Nuclei se diferencia por ser leve, rápido e feito para o fluxo de trabalho de pentesters e times de segurança ofensiva que precisam automatizar checagens específicas rapidamente.

Outra alternativa e o Burp Suite, mas ele é focado em testes manuais e interativos de aplicações web, enquanto o Nuclei brilha em varreduras automatizadas e continuas em larga escala.

Pontos positivos e limitações

Entre os pontos fortes estão a velocidade, a comunidade ativa de templates e a facilidade de integração em pipelines de segurança continua.

Por outro lado, o Nuclei depende da qualidade dos templates disponíveis. Vulnerabilidades muito novas ou específicas de um sistema proprietário podem não ter template pronto, exigindo que o usuário escreva o seu.

Também vale lembrar que o Nuclei detecta padrões conhecidos, ele não substitui uma análise manual aprofundada feita por um pentester experiente.

Casos de uso reais

Pesquisador de bug bounty: usa o Nuclei para varrer rapidamente centenas de subdomínios de um programa em busca de configurações expostas e CVEs conhecidas antes de investigar manualmente.

Time de segurança interno: roda o Nuclei periodicamente contra os próprios ativos da empresa como parte de um processo de monitoramento continuo de superfície de ataque.

Desenvolvedor DevSecOps: integra o Nuclei no pipeline de CI/CD para bloquear deploys que introduzam configurações inseguras conhecidas.

Estudante de segurança: usa o Nuclei em ambientes de laboratório para aprender na prática como vulnerabilidades reais são detectadas.

Dicas e boas práticas

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Dica

Rode nuclei -update-templates regularmente. Novos CVEs críticos costumam ganhar template em poucas horas após a divulgação.

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Pro tip

Use a flag -rl para limitar a taxa de requisições por segundo e evitar derrubar serviços frágeis durante o scan.

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Cuidado

Nunca aponte o Nuclei para alvos fora do escopo autorizado. Mesmo scans automatizados podem gerar tráfego que caracteriza tentativa de invasão.

Vale a pena?

Para quem trabalha com pentest, bug bounty ou segurança ofensiva, o Nuclei e praticamente indispensável: e gratuito, rápido e mantido por uma comunidade grande e ativa.

Para times de desenvolvimento que querem adicionar uma camada extra de checagem automatizada de segurança no pipeline, também vale a pena experimentar, começando pelos templates de severidade alta e crítica.

O próximo passo e instalar a ferramenta em um ambiente de teste próprio e rodar um scan contra uma aplicação que você mesmo controla, para entender o formato dos resultados antes de usar em produção.